Biscoitos digitais espionam a Web

Biscoitos digitais espionam a Web

Cookies entregam informações do usuário para turbinar navegação 

A cidade italiana de Veneza acaba de receber representantes de 40 países para falar sobre cookies. O arquivo - que extrai informações do computador do usuário para turbinar a navegação na Web - vem alimentando polêmica: vilão que fere a privacidade ou mocinho que acelera a Internet? Os políticos em Veneza resolveram freá-lo e aprovaram a Carta do Direito à Privacidade e à Tutela dos Dados Pessoais."Os cookies são mais perigosos que os hackers", justificou, na ocasião, o escritor e semiólogo Umberto Eco. Enquanto o mundo se divide em discussões, há recifenses acreditando que cookie é apenas uma famosa marca de chocolate. A confusão talvez venha do nome inofensivo - biscoito, em inglês.O problema, segundo especialistas, é justamente a falta de informação, que transforma o arquivinho em espião e impede que o internauta proteja e-mail, provedor, hábitos de navegação. Descobertos, esses dados podem virar mercadoria nas mãos de empresários que vendem listas de endereços eletrônicos a preço de banana.Está certo que nem todo sítio faz uso dos tais biscoitos, mas há os que usem mais de 15 de uma só vez. Tão logo se entra em uma Webpage, recebe-se um script, encaminhado ao C:/windows/cookies, para quem navega no Internet Explorer, ou ao C:/arquivos de programas/netscape/users, no Netscape.O cookie traça ali um verdadeiro perfil do usuário. Teoricamente inofensivo, o levantamento serve para abrir a página preferida do usuário naquele site. Praticamente, é um espião digital. Daí o motivo de os defensores da privacidade nos Estados Unidos e a Comissão Européia pensarem em regulamentação. Enquanto isso, gigantes como a Microsoft e a McAfee lançam produtos no mercado. O DIARIO mostra os prós e os contra dos scripts e ensina a lidar com eles. 

Cookies: mocinhos ou bandidos?

Biscoitos ameaçam privacidade, mas antecipam a navegação anônima prevista pelos especialistas

Quanto mais os serviços da Web se desenvolvem a partir das características dos internautas, mais a existência dos cookies é questionada. O pivô das discussões é a privacidade dos usuários mais incautos da Rede. Principalmente pela possibilidade (que para muitos é fato) de alguns sites usarem o arquivo de má fé.Assim, ao invés de reconhecer o visitante, proporcionando um acesso completo ao conteúdo da página e disponibilizando serviços personalizados (algo como aquele útil e arriscado recurso de salvar a senha do Windows), os biscoitos monitoram os hábitos de navegação do usuário, que podem ser utilizados no próprio site ou até serem vendidos para empreendedores do mundo digital.Os cookies podem recolher dados como os tipos de plataforma, sistema operacional e provedor (IP/DNS) usados. De olho na mina de ouro real que as informações significam, sites de pesquisa já fecham acordos com páginas que oferecem serviços gratuitos para aproveitar tais informações. Em um seminário recente realizado pelo Bancodo Brasil, o professor especialista em Internet Robert Litan disse que os biscoitinhos facilitam a vida do usuário em páginas como a livraria virtual Amazon.com (www. amazon.com), em que o visitante não precisa digitar seus dados na hora de uma nova compra. anonimato - Durante o evento, ele teorizou, ainda, que a navegação anônima, garantida por anti-cookies, será realidade em pouco tempo. Litan diz que, em breve, o internauta só precisará informar, no máximo, o número do seu celular quando for realizar uma compra pela Web. O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Hernando Flores diz que a vantagem dos cookies para o internauta que freqüenta sites de e-commerce é a possibilidade de ter serviços personalizados em lojas e bancos virtuais. "Não vejo desvantagens nos biscoitos vindos de páginas idôneas, mas sei do perigo que dados cruzados podem provocar". Um consumidor inadimplente com uma empresa da Web, por exemplo, pode ter seu pedido de compra cancelado por outra loja que tenha acesso ao controle de pagamento fornecido pela primeira. Mesmo quem não deseja aceitar os biscoitinhos, precisa pensar antes de exterminá-los. Alguns sites não aceitam visita de usuários que tenham cancelado esta função. Uma boa opção para quem não quer ser usado como objeto de pesquisa de mercado é ativar o comando que alerta quando e de quais páginas os cookies estão vindo. 

Softs barram scripts

Quem não deseja hospedar os biscoitos espiões pode usar um dos vários programinhas que estão sendo lançados pelas grandes empresas para barrar os arquivos indesejados. A Network Associates (www.nai.com) lançou, há duas semanas, o McAfee QuickClean, software voltado para usuários novatos que ajuda na remoção dos cookies. A gerente de produtos da empresa, Lisa Smith, informa que o aplicativo é inteligente o suficiente para não apagar cookies vinculados a bookmarks. Não restrito apenas aos biscoitos, o QuickClean faz a limpeza também de outros entulhos que se acumulam no PC, apagando o cache da Web, arquivos de download, plug-ins ActiveX e arquivos temporários. Assim, o produto dá ao usuário maior controle sobre o espaço em disco usado por arquivos vindos da Rede. O preço do QuickClean, que é compatível com os sistemas Windows Me, 95, 98 e 2000, é de US$ 29 (nos Estados Unidos). A Microsoft também anunciou a versão beta de uma ferramenta para o Internet Explorer 5.0 (lançado este mês) que promete o gerenciamento de cookies. O recurso avisa aos internautas quando os biscoitos são jogados no PC. A atualização do navegador será testada primeiramente por consumidores, usuários corporativos e parceiros da indústria. A empresa informa que a versão chegará ao público em geral dentro de poucas semanas. Além de avisar a chegada de cookies, o aplicativo disponibiliza um botão com a opção para deletar o arquivo indesejado. O recurso traz uma seção de ajuda com tópicos sobre endereços e administração dos biscoitos. Já o Netscape Navigator, por exemplo, possui o recurso de só aceitar cookies que retornem para o servidor da página que a pessoa está visitando. Isto evita que ele vá para uma home page e outra, completamente diferente, fique sabendo dos seus hábitos. A alternativa permite ao usuário controlar a entrada e saída dos arquivos do seu Windows. WEB - Alguns sites podem ajudar o usuário a lidar com os cookies ou, pelo menos, conhecê-los melhor. Além da Fundação Vanzolini (www.vanzolini.org.br), entidade que tem poder para combater os atentados à privacidade online, há também os sites em inglês, como o Cookie Central (www.cookiecentral.com), que auxiliam no descarte do biscoito. No Anonymizer.com (www.anonymizer.com), também em inglês, o usuário pode baixar um aplicativo que proporciona a navegação anônima. O programa maquia o IP do internauta, fazendo com que ele possa navegar sem ser visto pelos cookies. Já o Web4Fun (www.web4fun.com.br), site de entretenimento brasileiro, adotou o marketing de permissão. Assim, só come biscoitinhos quem quer.


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